Publicado em: 23/05/2025.
Entenda o que são fitormônios, seus principais grupos e como regulam o desenvolvimento e o estresse nas plantas.
Em um cenário agrícola cada vez mais desafiador, com restrições hídricas e variações climáticas que afetam a produtividade, o manejo eficiente dos recursos torna-se uma necessidade.
De acordo com o relatório “The Impact of Disasters on Agriculture and Food Security 2023” da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), nos últimos 30 anos, desastres naturais como secas, inundações, ondas de calor e geadas causaram perdas estimadas de US$ 3,8 trilhões na produção agrícola global.
Nesse contexto, os fitormônios regulam processos fisiológicos essenciais e potencializam a resiliência vegetal frente ao estresse. Esses reguladores sinalizam e ajustam respostas ao ambiente e têm sido incorporados estrategicamente ao manejo agrícola.
Quer entender como essas moléculas podem transformar o desempenho das lavouras? Siga conosco e descubra os principais grupos de fitormônios e suas aplicações no campo.
O que são fitormônios e qual sua importância fisiológica?
Os fitormônios, também conhecidos como reguladores de crescimento vegetal, são compostos orgânicos produzidos naturalmente pelas plantas, que atuam em baixas concentrações, controlam processos fisiológicos para o crescimento, desenvolvimento e adaptação aos diferentes ambientes e estímulos externos.
A classificação dos fitormônios baseia-se em três critérios principais:
- Estrutura química;
- Vias biossintéticas;
- Funções fisiológicas.
Esses parâmetros ajudam a organizar e compreender a diversidade hormonal existente nas plantas.
Do ponto de vista estrutural, os fitormônios apresentam composições químicas distintas, que servem como base para sua categorização.
As classes mais estudadas incluem as auxinas, giberelinas, citocininas, etileno e ácido abscísico.
Além delas, compostos como os brassinosteroides e os jasmonatos também desempenham papéis fisiológicos importantes, embora nem sempre sejam incluídos nas categorias principais.
No que diz respeito à biossíntese, esses compostos se originam de três principais precursores metabólicos:
- Aminoácidos;
- Isoprenóides;
- Lipídios.
Por exemplo, as auxinas derivam-se do triptofano, enquanto as giberelinas e citocininas têm origem em vias metabólicas de isoprenóides.
Essa diversidade biossintética reflete a complexidade dos mecanismos regulatórios que controlam a produção hormonal nas plantas.
Quanto às funções fisiológicas, cada classe hormonal exerce ações específicas.
- As auxinas estão envolvidas principalmente no alongamento celular e na dominância apical;
- As giberelinas promovem o crescimento do caule, germinação e floração;
- As citocininas estimulam a divisão celular;
- O etileno regula a maturação de frutos e senescência;
O ácido abscísico atua principalmente na resposta a estresses ambientais como seca, pois promove o fechamento estomático.
Principais grupos de fitormônios e suas funções
Tendo em vista a classificação com base na estrutura química, a seguir, confira as principais classes de fitormônios e seus respectivos papéis no desenvolvimento vegetal:
Imagem: Estacas vegetativas tratadas com auxinas para estimular o enraizamento, sob luz controlada.
Auxinas (IAA)
Sua principal atuação está no alongamento celular (crescimento de caules e raízes).
Também regulam a dominância apical, impedem o crescimento de gemas laterais, além de estarem envolvidas na formação de raízes adventícias, diferenciação vascular e respostas tropísticas (fototropismo e gravitropismo).
Na agricultura, as auxinas são comumente utilizadas em técnicas de propagação vegetal e enraizamento de estacas.
Figura: Exemplos de estruturas químicas de auxinas naturais e sintéticas. Fonte: Foto de Kerbauy G. B. 2008, adaptado por Neto, et al. (2023).
Citocininas
Atuam principalmente na divisão celular e na regulação do desenvolvimento de gemas laterais, ou seja, exercendo efeito antagônico às auxinas.
Também retardam a senescência foliar e participam da diferenciação dos tecidos. Além disso, promovem a mobilização de nutrientes e participam na resposta a estresses.
Na prática agrícola, são utilizadas na propagação in vitro para promover a multiplicação de brotações, e em aplicações foliares para prolongar a vida útil de folhas e flores, especialmente em hortaliças e plantas ornamentais.
Giberelinas (GAs)
Estimulam o alongamento dos caules, a germinação de sementes e a quebra da dormência.
Também estão envolvidas na indução de florescimento em algumas espécies e no desenvolvimento dos frutos.
Na fruticultura, essas práticas são empregadas para alongamento de cachos, aumento do tamanho dos frutos e uniformização da germinação.
Etileno
É um hormônio gasoso envolvido no amadurecimento de frutos, abscisão de folhas e flores, senescência e respostas ao estresse mecânico.
Embora seu papel esteja associado ao amadurecimento, o etileno também está envolvido em respostas rápidas a estresses, como ataques patogênicos.
Seu uso agrícola é notável no controle do amadurecimento e sincronização da colheita, como banana e tomate.
Ácido abscísico (ABA)
Atua em respostas ao estresse hídrico, uma vez que promove o fechamento dos estômatos para reduzir a perda de água.
Além disso, regula a dormência de sementes e brotos, além de modular processos de desenvolvimento em condições adversas.
Seu papel protetor torna este hormônio importante para a tolerância das plantas a ambientes desfavoráveis, sendo foco de pesquisas voltadas à adaptação das culturas à seca.
Além dos grupos clássicos de fitormônios, outros possuem destaque por desempenharem funções específicas nos mecanismos de crescimento, defesa e adaptação das plantas.
Brassinosteróides
São esteroides vegetais que atuam em múltiplos processos do desenvolvimento, como alongamento celular, divisão celular e diferenciação do xilema.
Também estão envolvidos na regulação da fotomorfogênese, na germinação de sementes e na resistência a estresses abióticos, como salinidade, frio e calor.
Ácido jasmônico
Conhecidos como jasmonatos, são usados nas respostas de defesa contra herbivoria e infecções por patógenos, além de regularem processos como senescência, formação de tubérculos e fechamento estomático.
Seu papel na comunicação entre partes da planta e na sinalização de estresses bióticos o torna um componente-chave da resposta adaptativa vegetal.
Ácido salicílico
Está ligado à resistência sistêmica adquirida (SAR), que é um mecanismo de defesa que prepara a planta para enfrentar futuras infecções.
Além disso, influencia a fotossíntese, a termogênese, a germinação e o florescimento.
Sua aplicação exógena é usada para induzir tolerância a estresses e aumentar a resiliência das culturas, sobretudo frente a desafios fitossanitários crescentes.
Estrigolactonas
Atuam como reguladores da arquitetura da planta e inibem principalmente o crescimento de ramos laterais, em interação com auxinas e citocininas.
Também participam da simbiose com micorrizas arbusculares e das respostas a estresses nutricionais, como a deficiência de fósforo.
Nessa condição, as raízes liberam estrigolactonas como sinalizadores químicos, que ativam mecanismos fisiológicos que melhoram a capacidade da planta de adquirir fósforo do solo.
Conclusão
O uso de fitormônios no manejo agrícola representa uma estratégia eficiente para fortalecer a resiliência das plantas frente a estresses e melhorar o desempenho produtivo.
Na fisiologia pós-colheita, esses compostos retardam a senescência e ajudam a manter a qualidade de frutas e hortaliças durante o armazenamento.
Outra frente inovadora envolve os microrganismos promotores de crescimento (PGPR), que sintetizam fitormônios na rizosfera, favorecendo o enraizamento e a tolerância a estresses.
Incorporar essas abordagens hormonais ao manejo contribui para uma agricultura mais sustentável, produtiva e adaptada aos desafios atuais.
*Texto redigido pela Equipe de Conteúdo do SolloAgro.
Referências:
Sampedro‐Guerrero, J. et al.The effectiveness of encapsulated salicylic acid as a treatment to enhance abiotic stress tolerance stems from maintaining proper hormonal homeostasis. Physiologia Plantarum, v. 176, n. 4, p. e14459, jul. 2024.
SOUSA, V. F. O. et al. Exogenous application of salicylic acid induces salinity tolerance in eggplant seedlings. Brazilian Journal of Biology, v. 84, p. e257739, 2024.





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