Em 3 de junho de 1901, teve início em Piracicaba a trajetória da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP).

A data marca a criação de uma instituição voltada à formação agrícola em um período no qual o Brasil ainda estruturava sua educação superior na área.
Em 2026, a ESALQ completa 125 anos, marco identificado pela própria Escola como Jubileu Secular de Prata.
A origem da Escola está associada a Luiz Vicente de Souza Queiroz. A ESALQ registra que ele doou a Fazenda São João da Montanha ao Governo do Estado de São Paulo para a criação de uma escola agrícola. A doação deu base material ao projeto de uma instituição voltada à formação técnica em agricultura.
Até 1934, a ESALQ fez parte da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Naquele ano, deixou essa estrutura administrativa e passou a integrar a Universidade de São Paulo (USP) como uma de suas unidades fundadoras. A própria linha do tempo da Escola registra que a ESALQ, ao lado de outras seis instituições de ensino superior do Estado de São Paulo, deu origem à USP.
Esse dado é importante para a leitura histórica da instituição. A ESALQ não foi apenas incorporada a uma universidade já consolidada. Ela participou da formação da Universidade de São Paulo e levou para esse projeto uma tradição anterior, ligada ao ensino agrícola, à pesquisa aplicada e à formação profissional para o campo.
A criação de uma escola agrícola
A criação da ESALQ respondeu a uma demanda objetiva: formar profissionais capazes de lidar com a agricultura por meio de conhecimento técnico.

Imagem: ESALQ em 1907. Fonte: ESALQ/USP
A experiência prática do campo continuava necessária, mas já não bastava para sustentar a modernização agrícola. Era preciso formar pessoas com base em solo, planta, clima, manejo e organização da produção.
Esse ponto ajuda a entender a origem da Escola. A ESALQ nasceu ligada à agricultura, mas não apenas como espaço de treinamento prático.
Sua criação esteve associada à formação de quadros técnicos para interpretar problemas agrícolas com método e base científica.
Essa leitura evita uma interpretação apenas comemorativa da data. O aniversário da ESALQ não deve ser tratado apenas como homenagem institucional. Ele permite analisar a formação agrícola como parte da organização técnica e científica do agro brasileiro.
Da escola agrícola à unidade fundadora da USP
A entrada da ESALQ na USP, em 1934, alterou sua posição institucional. A Escola deixou de pertencer à Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo e passou a integrar uma universidade pública de pesquisa, como unidade fundadora da USP.

Imagem: Exposição de fotos antigas da ESALQ. Fonte: ESALQ/USP
Esse vínculo ampliou a articulação entre formação profissional, pesquisa e extensão. A vocação agrícola permaneceu, mas passou a operar dentro de uma estrutura universitária. Isso aproximou o ensino agronômico da produção científica, da pós-graduação e da extensão universitária.
A história da ESALQ, portanto, não deve ser lida apenas como história de uma escola agrícola. Ela também mostra a passagem da agricultura como prática técnica para a agricultura como campo universitário, científico e profissional.
A permanência da formação técnica
O agro de 2026 não é o agro de 1901.
A produção incorporou mecanização, corretivos, fertilizantes, defensivos, melhoramento genético, irrigação, agricultura digital, sensores, modelos climáticos, bioinsumos e sistemas de gestão. No entanto, nenhuma dessas ferramentas elimina a necessidade de formação agronômica.
Um mapa de produtividade não explica, por si só, a causa de uma falha produtiva. Um sensor não define o manejo. Um fertilizante não garante resposta sem relação com acidez, disponibilidade de nutrientes, água, raiz e potencial produtivo. Um bioinsumo não substitui diagnóstico fitossanitário nem planejamento técnico.
Essa é a relação mais direta entre a história da ESALQ e o agro de hoje. A agricultura muda de ferramentas, mas preserva uma exigência: decisões precisam de interpretação. Sem formação técnica, a tecnologia perde parte de sua função.
Ensino, pesquisa e extensão
A ESALQ apresenta sua atuação com base em ensino, pesquisa e extensão. Esses três eixos não devem aparecer apenas como fórmula institucional. Eles descrevem uma sequência concreta. O ensino forma profissionais. A pesquisa testa hipóteses e produz conhecimento. A extensão aproxima esse conhecimento da sociedade.
No agro, essa circulação é decisiva. O conhecimento produzido na universidade precisa chegar a fazendas, consultorias, cooperativas, empresas, órgãos públicos, salas de aula e ambientes de treinamento. Essa passagem exige linguagem clara, mas também exige rigor.
Comunicação técnica não é simplificação sem critério. É seleção de evidências, definição de conceitos, indicação de limites e cuidado com extrapolações. Uma informação mal formulada pode gerar erro de manejo, custo desnecessário ou expectativa sem base.
Uma leitura para 2026
Em 2026, a marca comemorativa “ESALQ 125 anos” identifica o Jubileu Secular de Prata. O selo foi inspirado na fachada superior do Edifício Central e segue a identidade visual da Universidade de São Paulo.

Imagem: Selo comemorativo dos 125 anos. Fonte: ESALQ/USP
O símbolo registra uma data institucional. O conteúdo da data, porém, está na história que ela resume. Desde 1901, a ESALQ está ligada à formação de profissionais para a agricultura. Desde 1934, essa formação integra a estrutura da USP como parte de uma universidade pública de pesquisa.
Para o agro, essa trajetória reforça uma ideia objetiva: produção agrícola exige conhecimento organizado. O campo depende de insumos, máquinas e tecnologias, mas também depende de pessoas capazes de interpretar problemas e tomar decisões com base técnica.
Conclusão
Os 125 anos da ESALQ permitem analisar a relação entre formação agrícola, pesquisa universitária e extensão técnico-científica no Brasil.
Essa história importa porque a agricultura depende de conhecimento técnico para transformar dados, ferramentas e práticas em decisões de manejo. O avanço do agro não ocorre apenas pela adoção de novas tecnologias. Ele exige profissionais capazes de interpretar solo, planta, clima, ambiente produtivo e limites técnicos.

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