As pragas subterrâneas permanecem fora do campo visual durante parte do ciclo da cultura. Quando o produtor percebe a planta “fraca”, a emergência irregular ou uma reboleira, parte do dano já pode ter ocorrido no sistema radicular.
Por isso, observar apenas a parte aérea não é suficiente.
Examinar as plantas, as raízes e o solo adjacente ajuda a distinguir o ataque de insetos de problemas nutricionais, fisiológicos ou de estabelecimento.

(Imagem: larva-alfinete | Embrapa Milho e Sorgo)
Veja como reconhecer os principais sinais de cada uma:
Larva-alfinete
As larvas de Diabrotica speciosa alimentam-se das raízes e podem atingir o ponto de crescimento de plantas recém-germinadas.
Em plantas maiores, o ataque às raízes adventícias pode prejudicar a sustentação e provocar o chamado “pescoço de ganso”. Plantas atacadas também podem ficar mais suscetíveis à estiagem e ao acamamento.
Os danos costumam ser mais intensos entre quatro e seis semanas após a emergência do milho.
Corós
Os corós são larvas esbranquiçadas, normalmente curvadas em formato de “C”, que se alimentam das raízes.
O dano pode reduzir o desenvolvimento ou causar a morte das plantas. Um sinal importante é a distribuição: a ocorrência tende a aparecer em reboleiras, em vez de se distribuir de maneira uniforme por todo o talhão.
Cupins
Os cupins subterrâneos podem começar o ataque antes mesmo da emergência.
Eles podem destruir sementes e atacar raízes de plantas novas. Falhas no estande, alteração da coloração, murchamento e morte de plântulas estão entre os possíveis sinais do ataque.
Larva-arame
As larvas alimentam-se de sementes e raízes, o que pode comprometer o estabelecimento do estande e o vigor das plantas.
A Embrapa chama atenção para situações de milho implantado após pastagem, nas quais os danos podem ser mais severos.
Percevejo-castanho
Ninfas e adultos vivem no solo e sugam as raízes.
As plantas podem ficar raquíticas e apresentar desenvolvimento reduzido. Um dos desafios é que os sintomas podem ser confundidos com deficiência nutricional.
Ao retirar a planta do solo, a presença dos insetos e o odor característico liberado por eles podem ajudar no diagnóstico.
Sintoma parecido não significa causa igual
Uma falha de estande pode ter várias origens.
Uma planta amarelada também.
Por isso, partir diretamente do sintoma para o produto aumenta o risco de errar o alvo.
Antes da decisão de manejo, vale observar:
- O problema aparece em reboleiras ou está distribuído pela área?
- As raízes apresentam sinais de alimentação ou redução?
- Existem insetos próximos ao sistema radicular?
- Qual foi o histórico da área e das culturas anteriores?
- A espécie presente foi corretamente identificada?
O manejo começa pelo diagnóstico.
ANÁLISE TÉCNICA
Para o Prof. Pedro Yamamoto, docente da ESALQ/USP e do Programa SolloAgro, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) começa com a identificação e o monitoramento.
No SolloCast #15, ao discutir resistência de pragas e MIP, o professor destaca que é necessário saber qual espécie está na área, qual é sua população, como ela se distribui no talhão e quais inimigos naturais também estão presentes.
Essa lógica também ajuda a interpretar as pragas de solo.
Encontrar um inseto não significa automaticamente que determinada intervenção será necessária. É preciso relacionar presença, população, dano e risco econômico.
A dependência de uma única estratégia favorece a seleção de populações resistentes e reduz as opções de manejo ao longo do tempo.
O professor também chama atenção para o sistema de produção. Em regiões com duas ou três culturas ao ano, o manejo de uma praga não começa e termina dentro de uma única safra. O que aconteceu na cultura anterior pode interferir no problema encontrado na cultura seguinte.
Quer aprofundar esse tema?
A conversa completa está disponível no SolloCast #15 “Resistência de pragas na lavoura e impactos ao agronegócio”, com o Prof. Pedro Yamamot
OUÇA TAMBÉM
Melhoramento genético do milho: onde entra a resistência aos estresses?
No SolloCast #49, o Prof. Gustavo Vitti Môro, docente da Unesp Jaboticabal e do Programa SolloAgro, explica como produtividade, adaptação, ciclo e tolerância a estresses bióticos e abióticos entram na seleção de híbridos.
No episódio, você fica por dentro de como os marcadores moleculares, ferramentas estatísticas e transgenia passaram a complementar a seleção realizada no campo.
Segundo o pesquisador, os avanços da transgenia permitiram incorporar características relacionadas à resistência às principais pragas do milho, ao mesmo tempo em que o melhoramento precisa considerar o ambiente e o sistema de manejo em que o híbrido será utilizado.
