O inoculante é um insumo biológico. Dentro da embalagem, a formulação busca preservar determinada população de células durante o período de validade.

(Imagem: sementes de soja inoculadas | + Soja)
Depois da aplicação, o ambiente muda.
As bactérias passam para a superfície da semente e entram em contato com outros produtos, além de ficarem sujeitas ao calor, à dessecação e ao intervalo até o plantio.
Na soja, essa sobrevivência tem relação com a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN).
Para sementes pré-inoculadas, a recomendação é de 80 mil a 100 mil células viáveis de Bradyrhizobium por semente no momento da semeadura.
Isso significa que a concentração presente no produto e a população que chega à semeadura não representam a mesma informação.
Em estudo conduzido por Campo, Araujo e Hungria, da Embrapa Soja, a mortalidade de Bradyrhizobium em sementes tratadas com determinados fungicidas chegou a 62% após duas horas de contato e a 95% após 24 horas. Os valores correspondem às condições e aos produtos avaliados no experimento e não devem ser generalizados para todos os tratamentos de sementes.
Esta informação deixa uma mensagem importante:
Não basta perguntar se o inoculante é compatível com os produtos utilizados no tratamento de sementes. É preciso considerar também por quanto tempo os microrganismos permanecerão em contato com esses produtos antes da semeadura.
Análise técnica
Para o engenheiro agrônomo José Roberto Pereira de Castro, docente do Programa SolloAgro, a FBN ocupa posição de destaque na produção brasileira de soja.
Mesmo em situações de alta produtividade, a FBN consegue atender à necessidade de nitrogênio da cultura sem a necessidade de adubação nitrogenada mineral para suprir essa demanda, segundo o especialista.
José Roberto também chama atenção para a capacidade das estirpes utilizadas no Brasil. Nas últimas décadas, a produtividade aumentou e o ciclo predominante da soja ficou mais curto. Mesmo assim, essas bactérias mantiveram capacidade de fornecer níveis adequados de nitrogênio às plantas.
Antes de semear, verifique:
- Quanto tempo haverá entre a inoculação e o plantio?
- A tecnologia utilizada permite a inoculação antecipada por esse período?
- O inoculante possui recomendação de compatibilidade com o tratamento de sementes utilizado?
- As sementes permanecerão protegidas do calor e da exposição ao sol?
- O solo terá umidade suficiente para favorecer a sobrevivência das bactérias e o estabelecimento inicial da cultura?
Na inoculação, não importa apenas o que foi colocado sobre a semente. Importa o que permanece vivo até o momento em que a tecnologia precisa funcionar.
Quer aprofundar esse tema?
A conversa completa com o engenheiro-agrônomo José Roberto Pereira de Castro está disponível no SolloCast #46, no episódio “Mercado de bioinsumos e as tendências no setor”.
