Publicado em: 05/12/2025.
Entenda as funções do solo e os principais indicadores de qualidade que orientam práticas sustentáveis.
Os solos sustentam a produção agrícola porque regulam água, armazenam nutrientes, mantêm organismos essenciais e dão suporte físico às plantas.
Quando essas funções perdem eficiência, toda a estrutura produtiva se compromete.
O desafio atual da agricultura é produzir mais, com estabilidade e sem degradar esse recurso vital.
Nesse cenário, cresce a importância de monitorar indicadores que destacam a qualidade do solo.
Eles mostram se o manejo mantém, melhora ou compromete as funções naturais do solo e apontam caminhos para elevar a sustentabilidade das áreas agrícolas.
A seguir, vamos explorar como cada função opera, quais indicadores avaliar e de que forma esses parâmetros direcionam decisões mais eficientes no campo.
Funções essenciais do solo
O solo é um sistema vivo e complexo. Seu funcionamento depende da interação entre minerais, matéria orgânica, água, ar e uma biodiversidade que controla processos fundamentais.

Imagem: funções do solo. Fonte: FAO (2015)
Esse conjunto garante três funções importantes:
Suporte físico
A estrutura e os agregados mantêm poros que regulam infiltração, drenagem e resistência das raízes.
Solos degradados perdem agregação, tornam-se mais densos e restringem o crescimento radicular.
Reserva de água
A proporção entre macro e microporos define a capacidade de armazenar e disponibilizar água.
Solos bem estruturados reduzem estresses hídricos e estabilizam o metabolismo da planta.
Ciclagem e retenção de nutrientes
A matéria orgânica e a argila conferem capacidade de troca de cátions e mantêm nutrientes na solução.
Essa dinâmica sustenta o desenvolvimento das plantas, especialmente em estádios iniciais.
Além dessas funções, o solo atua como regulador climático, abriga micro-organismos que transformam carbono e protege recursos hídricos.
Por que monitorar indicadores de qualidade?
A qualidade do solo descreve sua capacidade de desempenhar funções ecológicas e produtivas ao longo do tempo.
Ela depende de propriedades físicas, químicas e biológicas que respondem ao manejo.

Imagem: evolução do conceito de saúde do solo. Fonte: Cherubin et al. (2023).
Para ilustrar como essa visão moderna se aplica na prática, a pesquisa de Borges et al. (2024), mostra como indicadores ambientais revelam se o sistema avança para a sustentabilidade ou para a degradação.
O estudo avaliou propriedades com graus de erosão, níveis de uso de insumos e conservação de biodiversidade, mostrando que esses fatores determinam a qualidade do solo.
O monitoramento contínuo permite:
● Identificar tendências antes que se tornem problemas;
● Ajustar práticas de manejo;
● Aumentar produtividade de forma sustentável;
● Reduzir custos com correções tardias;
● Integrar conservação e desempenho agronômico.
De acordo com o Prof. Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, docente da ESALQ/USP e do Programa SolloAgro, aumentar a qualidade do solo depende do equilíbrio entre entradas e saídas de matéria orgânica.
Para ele, “manejar matéria orgânica significa garantir que as entradas sejam maiores do que as saídas”, pois só assim ocorre acúmulo estável no sistema .
Indicadores químicos: fertilidade, pH, CTC e matéria orgânica
Os indicadores físicos refletem a arquitetura do solo e ditam como as raízes exploram o ambiente.
Matéria orgânica
A matéria orgânica controla estrutura, retenção de água, disponibilidade nutricional e atividade microbiana.
Ela diminui rapidamente em solos tropicais quando há revolvimento ou baixa cobertura.

Imagem: compartimentos de matéria orgânica. Fonte: Adaptado de Stevenson (1994)
Estudos em ambientes tropicais mostram que mais de 50% da matéria orgânica pode se perder nos primeiros anos de cultivo intensivo.
De acordo com o Prof. Cerri, “a matéria orgânica funciona como a engrenagem que movimenta atributos físicos, químicos e biológicos do solo”, o que mostra seu papel na sustentabilidade de longo prazo .
CTC e retenção de nutrientes
A capacidade de troca de cátions indica quanto o solo consegue reter nutrientes sem perdê-los por lixiviação.
Solos com baixa CTC exigem monitoramento mais frequente e adubações fracionadas.
pH e equilíbrio químico
O pH regula a solubilidade de nutrientes, o funcionamento das raízes e toxicidade por alumínio.
Correções adequadas estabilizam o ambiente químico e favorecem a absorção de fósforo (P), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e potássio (K).
Relação entre carbono e nitrogênio
A relação entre carbono e nitrogênio (C/N) mostra a velocidade de decomposição e a eficiência da ciclagem.
Relações equilibradas sustentam atividade microbiana e disponibilização gradual de nitrogênio.
Indicadores físicos: estrutura, compactação e erosão
Estrutura e agregação
Agregados estáveis reduzem a erosão e mantém fluxo de ar e água. A perda dessa estrutura ocorre com uso intensivo de máquinas, cultivo contínuo e ausência de cobertura vegetal.
Densidade do solo
Densidade elevada restringe raízes, reduz infiltração e compromete a absorção de nutrientes.
A compactação ocorre com tráfego excessivo e baixa matéria orgânica.
Erosão
A erosão remove nutrientes, reduz a profundidade efetiva e compromete o sistema.
Dinâmica da água no solo
Solos saudáveis favorecem infiltração e armazenamento. Degradação estrutural aumenta escoamento superficial e dependência de irrigação.
Indicadores biológicos: vida no solo como parâmetro de saúde
Os indicadores biológicos são os mais sensíveis porque respondem rapidamente ao manejo.
Biomassa microbiana
A biomassa microbiana transforma matéria orgânica em nutrientes e aumenta a resiliência.
Sistemas com cobertura vegetal contínua acumulam maior biomassa e melhoram a ciclagem.
Respiração basal
Indica atividade metabólica. Valores equilibrados apontam solo funcional. Atividades muito altas ou muito baixas mostram estresse ou falta de carbono.
Serapilheira
Protege o solo, alimenta microrganismos e reduz a erosão. Sistemas agroflorestais elevam esse compartimento e aumentam a sustentabilidade.
Carbono e nitrogênio total
Mostram o estoque de nutrientes e o potencial de ciclagem. Quanto maior o carbono, maior a estabilidade estrutural e biológica.
Como usar os indicadores de forma estratégica
Monitorar indicadores transforma informações em decisões, como:
● Ajustes de adubação;
● Necessidade de calagem;
● Definição de culturas de cobertura;
● Controle de tráfego;
● Planejamento de irrigação;
● Avaliação de risco de degradação.
O produtor entende a trajetória do solo e age antes que problemas se intensifiquem. Indicadores mostram se o sistema melhora, estabiliza ou perde qualidade.
Conclusões
O solo é o ponto de partida da produtividade. Compreender suas funções e monitorar os indicadores certos coloca o produtor em posição estratégica para decidir, corrigir e aprimorar o manejo.
Pronto(a) para elevar a qualidade do solo e sustentar a produtividade mesmo em cenários desafiadores?
O SolloAgro apoia essa jornada com conhecimento técnico, pesquisa aplicada e educação continuada voltada aos profissionais do agro.
*Texto redigido pela Equipe de Conteúdo do SolloAgro.




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