Com fertilizantes representando até 40% do custo da safra, o aproveitamento no manejo nutricional torna-se decisivo para a sustentabilidade econômica das lavouras.
O início de 2026 já sinaliza ao produtor brasileiro um desafio técnico e econômico: o uso racional de fertilizantes deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para a manutenção da rentabilidade.
Em grandes culturas como soja, milho e cana-de-açúcar, os fertilizantes respondem por aproximadamente 35% a 40% do custo operacional total, o que reduz a margem para decisões imprecisas no planejamento da safra.
Projeções indicam que o Brasil deve ultrapassar 46 milhões de toneladas de fertilizantes consumidas ao longo de 2026, o que consolida novo recorde histórico.
Ainda assim, em sistemas conduzidos sem o manejo adequado, cerca de 50% do nitrogênio (N) e 20% do fósforo (P) aplicados são efetivamente absorvidos pelas plantas, valores que variam conforme a fonte, o solo, o clima e a estratégia de manejo.
O restante tende a perder-se por volatilização, lixiviação, fixação no solo ou baixa sincronização com a demanda das culturas.
De acordo com o Dr. Valter Casarin, coordenador científico da Nutrientes para a Vida e docente do Programa SolloAgro, o início de 2026 reforça a necessidade de maior eficiência no uso de fertilizantes, diante da volatilidade de preços, riscos de abastecimento e das crescentes exigências ambientais.
A seguir, discutiremos as principais estratégias que permitam aumentar a eficiência no uso de fertilizantes e a redução de desperdícios no contexto da safra 2026.
Diagnóstico de precisão: o ponto de partida para a economia
Na prática, a economia começa no diagnóstico do solo, antes da definição da fórmula NPK.

Imagem: diagnóstico do solo: o primeiro passo para decisões eficientes no manejo nutricional
O aproveitamento no uso de fertilizantes se inicia no diagnóstico técnico capaz de capturar a variabilidade espacial da área logo no início do ciclo produtivo.
O método tradicional de amostragem composta, no qual uma única amostra representa áreas extensas, desconsidera essa variabilidade e conduz a erros estratégicos, como subfertilização de áreas de alto potencial produtivo e superfertilização de zonas já equilibradas.
A amostragem em grade, com maior densidade de pontos, permite identificar manchas de fertilidade que permanecem ocultas em métodos convencionais.

Imagem: mapa gerado a partir da interpolação dos dados obtidos nos pontos amostrais. Fonte: Molin, 2015
Esse processo consolida-se com a definição de zonas de manejo, obtidas pelo cruzamento de mapas de colheita, dados de altimetria e sensores de solo, em linha com os princípios da agricultura de precisão adotados no Brasil e em outros países produtores.
Estudos indicam que o manejo por zonas pode reduzir em até 30% a incerteza na recomendação de adubação, ao alinhar dose e potencial produtivo de cada ambiente.
Sensores de condutividade elétrica do solo
O uso de sensores de condutividade elétrica é uma ferramenta padrão para diagnóstico em larga escala.
Estes sensores permitem inferir diferenças de textura, teor de argila e capacidade de troca catiônica, atributos diretamente relacionados à retenção e à disponibilidade de nutrientes no perfil do solo.
A aplicação de doses uniformes em solos com características contrastantes resulta em perdas técnicas e financeiras, uma vez que solos arenosos e argilosos apresentam capacidades distintas de retenção e suprimento de nutrientes.
Retorno econômico do diagnóstico
O custo do diagnóstico de precisão representa menos de 2% do custo operacional da safra na maioria dos sistemas produtivos.
Em contrapartida, a economia obtida com corretivos e fertilizantes de manutenção pode gerar retorno sobre o investimento de até 3:1 já no primeiro ano de adoção, resultado compatível com análises econômicas de sistemas de agricultura de precisão.
Fertilizantes de eficiência aumentada
Com os custos dos insumos mantidos em patamares elevados no início de 2026, o aproveitamento real dos nutrientes aplicados torna-se prioridade desde o planejamento da adubação.
Os Fertilizantes de Eficiência Aumentada (FEA) surgem como solução técnica para reduzir perdas no sistema solo-planta-atmosfera, especialmente no caso do N, nutriente associado a baixas eficiências de recuperação.
De acordo com o Prof. Carlos Nascimento, docente da ESALQ/USP e do Programa SolloAgro, “o desafio do manejo nutricional moderno não está apenas em definir a dose correta, mas em garantir que o nutriente aplicado permaneça disponível no solo no momento em que a planta mais demanda”.
Essa informação reforça o papel dos FEA em sistemas de produção que buscam eficiência desde o início da safra.
Conclusão
A agricultura de precisão não se trata apenas de tecnologia sofisticada. É sobre fazer as perguntas certas, capturar os dados corretos, no lugar certo e na escala adequada.
O SolloAgro atua nesse ponto de conexão. Com base científica e visão sistêmica, o Programa prepara profissionais para estarem atualizados frente às inovações do mercado.
O dado já existe. O diferencial está em quem sabe transformá-lo em aprendizado, decisão e resultado sustentável.
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*Texto redigido pela Equipe de Conteúdo do SolloAgro.




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